Soares Chronicles #105: O gosto do M&M vermelho

Como todos vocês sabem, eu sou fã do Homem-Aranha e hoje eu resolvi falar sobre uma história que eu gosto muito, Spider-Man Blue (ou Homem-Aranha: Azul). É uma minissérie que saiu em 2002, escrita pelo Jeph Loeb e ilustrada pelo Tim Sale.

 

Reparem na leveza do traço do rosto da Gwen Stacy.

Capa da edição encadernada de 2009. 

Isso ia ser bem mais legal se eu soubesse colocar imagens nos posts. Enfim, eu não sou fã do Loeb, na verdade eu não gosto de quase nada que ele escreveu, mas eu adoro Spider-Man Blue, acho que é o melhor trabalho dele , até porque ultimamente ele só tem feito merda. Em compensação, eu acho o Tim Sale sensacional. A composição das página, o ritmo dos quadros, o dinamismo que ele empresta pra história. E o cabelo da Gwen Stacy, ele e o colorista, Steve Buccelatto fizerem o melhor cabelo da Gwen Stacy da galáxia. Ever.

Essa é uma das páginas mais perfeitas de todos os tempos.

Essa é uma das páginas mais perfeitas de todos os tempos.

Esse é o aspecto técnico, agora vamos à história. A história não é importante. A gente já leu essa história, essa minissérie reconta algumas edições da The Amazing Spider-Man (especificamente os números 43-48 e 63, que são edições dos anos 60) por um novo ponto vista. Um Peter Parker mais velho, com saudade da sua Gwen Stacy, fala ao gravador, como que contando pra ela, como eles quase não se apaixonaram.

Em linhas gerais a história começa com um confronto entre o Duende Verde e nosso amigão da vizinhança, depois disso ele ainda vai enfrentar o Rino, o Lagarto e dois Abutres, e por fim, Kraven , o Caçador. Na época que a minissérie foi publicada havia uma idéia de apresentar os poderes do Teioso, não só como científicos (lembrem-se, ele foi picado por uma aranha radioativa), mas também, totêmicos. Ele ganhou esses poderes animalescos, para enfrentar vilões também com poderes assim. Se olharmos a galeria de vilões do Homem-Aranha ele tem diversos vilões com essas características, além dos que eu já citei, tem também o Octopus, o Escorpião, o Morsa, a Coelha Branca e outros. Há uma teoria semelhante sobre o Batman, já que ele só enfrenta gente tão ou mais maluca que ele.

Enfim, voltando. Kraven, o caçador, testa sua presa (o Homem-Aranha) contra diversos outros pedradores (Rino, Lagarto, Abutres), para quando cansada, caçá-la. Obviamente que o Homem-Aranha derrota todos eles e salva o dia. Mas o importante não é essa história.

O importante é a reflexão que o Peter Parker faz enquanto conta essa história. Esse é um daqueles momentos de identificação com a personagem, o que o Peter Parker é ter aquela conversa que a gente não tem. É quando a gente fala sozinho dirigindo o carro, ou escutando música no ônibus, aquela carta que a gente escreve e não manda, aquele post que a gente escreve e deleta.

A história deles não é diferente da de qualquer um de nós. Um dia a gente nota alguém, outro dia a gente se dá conta que não paramos de olhar pra esse alguém, se a gente der sorte, percebe que esse alguém também não para de olhar pra nós. Aí acontece alguma coisa idiota do tipo: “Troquei o portão da minha casa.”, “É mesmo? Legal.”, “Tu não quer ir lá em casa ver o portão novo? É que a última vez que tu foi, tinha um portão velho e agora tem um portão novo. E… bom… hã… eu queria a tua opinião sobre ele.”

Ou então a guria olha pra ti e te pergunta: “Tu já beijou alguém de piercing na língua?” e em vez de dizer não e partir pro abraço, tu olha com uma cara meio em dúvida “Piercing na língua?” , “É, assim”, e ela mostra a língua, que obviamente tem um piercing, e de novo, em vez de dizer não e partir pro abraço, tu olha pra cima, coça o queixo, conta nos dedos, diz: “Já, umas duas ou três.” E continua caminhando.

Mas enfim, eu acabei perdendo o ponto do texto. Nessa história, nosso amigo Peter Parker chega a conclusão que a vida dele é uma sucessão de coisas que só pioram pra depois melhorar. Isso é bem explorado na idéia de que toda vez que algo bom acontece, geralmente envolvendo ele se aproximar da Gwen Stacy, alguma coisa acontece que exige a presença do Homem-Aranha, afastando-os ainda mais. E nessas edições muita coisa acontece, é quando o Peter Parker se muda da casa da Tia May para morar com o Harry Osborn, tem a tia May empurrando a sobrinha da vizinha pro Peter (só pra constar, é a Mary Jane Watson), tem aquele questionamento ‘que que eu to fazendo com a minha vida’ protagonizado pelo Flash Thompson, que se alista no exército (como a gente tá nos anos 60, isso significa ir pro Vietnã). Essas edições  são algumas das primeiras em que o Peter Parker deixa de ser o adolescente nerd para se tornar um homem adulto.  Esse é um dos primeiros momentos que isso acontece, a gente tá falando de edições dos anos 60, então elas eram em real-time, é realmente o quarto ano do Peter Parker como Homem –Aranha, então é um guri de 20,21 anos, começando a montar a sua vida. Todo mundo já passou por isso.

Essa idéia do piorar muito antes de melhorar, é bem ilustrada porque sempre que algo bom vai acontecer, algo acontece (notavelmente, algum dos super-vilões aparece, e o Peter Parker vai resolver o problema como o Homem-Aranha), piorando a situação. E o questionamento que ele faz é exatamente esse, será que valeu a pena? Há dois quadros muito específicos:

 

Sem saber o que a gente procura, a gente não acha.

Sem saber o que a gente procura, a gente não acha.

Esse é o momento da pergunta do piercing. Como tu tá preocupado com o Abutre, tu não te dá conta que a guria perguntando se tu já beijou alguém de piercing, quer te beijar. Porque tu é um idiotão.

 

Grandes poderes, grandes responsabilidades.

Grandes poderes, grandes responsabilidades.

E aqui outra pergunta que todo mundo se faz: quantos beijos eu perdi porque eu não tava contigo? O que eu podia tá fazendo de tão importante que era mais importante que ficar contigo?

No caso do Homem-Aranha, isso provavelmente envolvia um babaca que achou uma boa idéia se fantasiar de morsa e roubar um banco.

Para entender como o Homem-Aranha funciona, ou melhor, para entender como o Peter Parker funciona a gente precisa entender uma frase: “Com grandes poderes, vem grandes responsabilidades.” O altruísmo é o maior valor do herói. O sentimento de que o mais forte pode e deve auxiliar os mais fracos, isso é verdade em todos os exemplos heróicos que nós temos, o Batman tem isso, o Super-Homem, o Homem de Ferro, até o Superpateta deixa as suas vontades para auxiliar os outros. O grande diferencial do Homem-Aranha para esses outros heróis é o questionamento, é a reflexão provocada por esse questionamento; e essa reflexão é um reflexão do Peter Parker, quando lemos as boas histórias do Homem-Aranha, elas são na verdade histórias do Peter Parker, ele é o verdadeiro protagonista. E no Spider-Man: Blue os protagonistas são o Peter Parker e a Gwen Stacy, todo o resto, inclusive o cara que transformou a cabeça de um leão num colete, são complicações.

Voltando, a vida do Peter Parker é um ciclo de coisas piorando muito, porque em determinado momento elas só podem melhorar. Verdade que na maioria das vezes essa melhora envolve bater em alguém vestido de rinoceronte, mas a gente também pode se divertir, né?

A história inteira é marcada por pequenos detalhes, pequenas observações nos quadros, não por acaso, azuis que se espelham nas nossas próprias histórias:

 

Sempre que tu olhar pra trás e ela tiver te olhando, tu vira geléia.

Sempre que tu olhar pra trás e ela tiver te olhando, tu vira geléia.

Peter Parker é um believer. Ele também é um idiotão.

Peter Parker é um believer. Ele também é um idiotão.

Esse é o aspecto do Peter Parker que eu mais gosto, ele é um idiotão que nem o Ted Mosby, que nem o Ross Geller ou o Xander Harris e claro, eu. Se tu tem alguma dúvida de que eu sou um idiotão, lê de novo aquelas duas histórias que eu contei no início do texto que tu vai concordar comigo. O idiotão é essa ansiedade, essa dúvida, essa insegurança, é virar geléia quanto ela te olha, é pensar besteira no meio da aula, é balbuciar alguma idiotice sobre um portão, é lembrar um abraço que durou 10 segundos além do normal enquanto vocês se despediam, é levar ela pro planetário no primeiro encontro.  E é depois de tudo isso ainda se lembrar.

Memórias, lembranças, saudades, tudo isso dá em casa comentário que o Peter Parker faz nessa história. E o mais comovente não é só a saudade do jeito que o cabelo dela se mexia no vento, ou como ela tomava refrigerante, ou do cheiro de suco de laranja, não o mais comovente é que ele se dá conta de tudo que eles não viveram. O Peter Parker sente falta de não ter isso em mais uma sessão de cinema, de não ter dançado mais uma música, de não comer mais um sorvete de flocos, de não dar mais um beijo na Gwen Stacy. Essa história “é sobre lembrar de alguém que era tão importante que eu achei que ia passar o resto da minha vida com ela. O que eu não sabia é que ela que iria passar o resto da vida dela comigo”.

No final eu acho que nosso amigo Peter Parker faz as pazes com ele mesmo e com ela também.

Como ele mesmo diz no início: “Algumas pessoas ficam conosco enquanto nos lembrarmos delas.”  Todos nós temos algumas coisas que nos lembram pessoas que passaram na nossa vida, seja uma ex-namorada, seja um amigo que a vida afastou, um parente que já se foi, não importa nós, fazemos essa identificação quase no automático. É abrir um pacote de M&M’s e automaticamente começar a separar por cor, porque assim é mais gostoso. Porque assim o M&M vermelho tem gosto de saudade.

Quando tudo tem gosto de saudade, quando qualquer coisa te lembra dela, e pare que tudo tá ruim na tua vida, só tem uma coisa que dá pra fazer, melhorar.

É assim que começa a história.

É assim que começa a história.

P.S.: A história do portão funcionou.

M.Soares

soaresontheroad@yahoo.com

Soares Chronicles #104: A Teoria do Protagonista

1,2,3,4… 

Spider-man, Spider-man, does whatever a spider can,
Spins a web any size catches thieves just like flies, 
Look out… here comes the Spider-man
Is he strong? Listen up; he’s got radioactive blood. 
Can he swing from a thread take a look over head.
Look out… here comes the Spider-man.
In the chill of the night at the scene of a crime, 
Like a streak of light he arrives just in time.
Spider-man, Spider-man friendly neighborhood Spider-man, 
Wealth and fame he’s ignored, action is his reward. 
Look out here comes the Spider-man.

Look out!

Let’s go!

In the chill of night at the scene of a crime, 
Like a streak of light he arrives just in time. 
Spider-man, Spider-man, friendly neighborhood Spider-man,
Wealth and fame he’s ignored action is his reward.
To him life is a great big bang up 
When ever there’s a hang up, 
You’ll find the Spider-man! 
Man.

Spider-Man, Ramones

Todos somos protagonistas de nossas próprias vidas e tudo aquilo que impede a realização de nossos objetivos são apenas complicações.

Essa é a base da teoria do protagonista.

Agora, o que o protagonista faz frente às complicações da sua história? Ele resolve. Ele toma decisões, ele enfrenta. Nem sempre são boas decisões, mas ele resolve.

Para refletirmos melhor, vamos pegar alguns exemplos. Sim, óbvio que eu vou falar de super-heróis.

Primeiro vamos falar do maior super-herói de todos os tempos, nosso amigão da vizinhança, o Homem-Aranha. Quando o jovem estudante, Peter Parker, é mordido por uma aranha radioativa e ganha os poderes convenientes de uma aranha isso é uma complicação. Mas o que ele faz? Ele toma a decisão de usar isso da melhor forma possível, luta livre. Porém, surge outra complicação, a morte do Tio Ben, que faz com que ele se torne um super-herói e salve o mundo 236 vezes. Dentro das origens secretas de super-heróis até não é uma das piores, o Tio do cara morre e tudo mais, mas tudo meio que se resolve. Agora, o que acontece quando a gente dá azar?

Vamos pensar agora no nosso amigo Cliff Steele, piloto de corridas internacionais, em um terrível acidente durante uma corrida tem o corpo destroçado e sua única esperança de sobreviver é um transplante de cérebro. Mas para um corpo robótico laranja. Porque a ciência dos anos 60 na DC Comics é do caralho. Assim surge o Homem-Robô, que junto com a Patrulha do Destino vai salvar o mundo umas 89 vezes.

No entanto, eu comentei que o Homem-Aranha tem os poderes convenientes de uma aranha, ele é rápido, ágil, forte tem um “sentido de aranha” que o previne de perigos, são coisas convenientes, por exemplo, ele não tem 6 braços ou solta teia pela bunda.

Já o Homem-Robô ele tem os “poderes”  de um robô, um corpo super forte e resistente, porém insensível. Imaginem viver com a lembrança de um gosto, de um toque que tu nunca mais vai sentir, imaginem o cuidado em um aperto de mão, em um abraço para não machucar ninguém. Eu não consigo imaginar a dor de um membro fantasma, imaginem um corpo fantasma. Nosso amigo Cliff Steele vai se tornar um cara amargo, azedo, triste, assombrado por saudades de coisas corriqueiras. Ele se torna um prisioneiro de seu grande e desajeitado corpo de robô laranja, um estranho pro mundo e pra si mesmo.

E ainda assim ele vira um super-herói.

O que eu quero dizer é que não existe o momento certo pra nada. Nunca é um bom momento pra ser picado por uma aranha radioativa, nunca é um bom momento pra ter o corpo destroçado e acordar preso ao corpo de um robô laranja. Nunca é um bom momento, todo dia todo mundo tem dificuldades, talvez maiores, menores ou exatamente iguais as tuas. A questão é o que fazer neste momento?

Essa é a atitude que define o nosso protagonista. A transformação daquele momento cheio de dúvidas e complicações no melhor que ele pode fazer. A transformação de um momento no teu momento. No teu esforço, no teu suor, na tua escolha definitiva.

Claro, eventualmente, alguém resolve virar um supervilão e viver num mundo cheio de amargura e afogado na própria miséria e comiseração, mas sempre há uma história redentora que ainda não foi contada. Afinal o que seria do inferno se os demônios não pudessem sonhar com o paraíso.

Sim, eu terminei citando Neil Gaiman, chupa Bélgica.

“Nosso destino não está nas estrelas, mas em nós mesmos.”

Shakespeare

M. Soares

soaresontheroad@yahoo.com

Soares Chronicles #103: A friendzone na máquina de lavar

“Não há ninguém, mesmo sem cultura, que não se torne poeta quando o amor toma conta dele.”

Platão, O Banquete

Eu estava aqui observando o funcionamento da máquina de lavar roupa, que é uma coisa que eu acho muito bizarra. Pensem bem, a gente coloca um monte de coisa ali dentro e isso tudo fica girando, girando e girando e depois de um tempo, sai exatamente a mesma coisa que entrou, talvez faltando um pé de meia que nunca recuperaremos. Mais ou menos como a friendzone.

Eu tenho a idéia de que nós misturamos as coisas com um intuito transformacional, a fim de fazer algo diferente. Mais ou menos como fazer um bolo, misturamos a cenoura, óleo, ovos, açúcar, farinha e fermento, colocamos no forno e uns 40 minutos depois temos um bolo. E se no formos preguiçosos, fazemos uma cobertura de chocolate e temos um bolo de cenoura que realmente vale a pena ser comido. E o que isso tem a ver com a friendzone?

Ora, é evidente que a friendzone é uma máquina de lavar.

Pensem bem, a friendzone ta ali, a porta ta aberta, tu dá uma olhada e tu entra na friendzone, simples, tu entra na friendzone. As pistas que aquilo ali é uma friendzone estão ali, mas tu ignora e vai. Aí fica um tempo ali, gira prum lado, gira pro outro, mas não sai do lugar; até que um dia, tu sai. E de vez quando, assim como se perde uma meia, se perde um pedaço do coração.

E a pergunta que a gente faz é: isso é justo?

Há bons argumentos para os dois lados.

Eu já fui acusado, diversas vezes, de ter uma visão muito simples desse aspecto da vida. Quando eu gosto de uma pessoa, eu quero vê-la feliz. Aqui eu falo de sentimentos reais, não aquele tesaozinho porque ela tem uma bundinha bonitinha. Bunda bonitinha tem em qualquer esquina.

Além de querer vê-la feliz, eu quero ser responsável por isso. Eu quero que ela me olhe com os olhinhos do gatinho do Shrek porque ela sabe que eu vou resolver aquilo. Eu quero ver o sorriso, os olhos brilhando e saber que eu sou o responsável por isso. Eu sei é simples e idiota, né?

Enfim esse é um dos fatores que ao longo do tempo fizeram com que eu entrasse numa ou noutra friendzone.

Outro fator importante é que, inconscientemente, esperamos um prêmio por bom comportamento. Quando estávamos no colégio, e tirávamos um boa nota ou passávamos de ano, ao chegar em casa e dar essa notícia, esperávamos um parabéns dos nossos pais por algo que, na boa, era nossa obrigação.

Nós esperamos retribuição, quando fomos legal com alguém, esperamos que esse alguém seja legal de volta. Quando gostamos de alguém, esperamos que esse sentimento seja retribuído com igual intensidade. Esse é o nosso erro, essa expectativa é o sabão em pó da friendzone. É o que dá uma certa lubrificação ao movimento daquele giro contínuo e que de vez em quando aprece infinito na friendzone.

E depois do sabão em pó, tem o amaciante. O amaciante da friendzone aquele esforço a mais, é o extra, é o que dá cheirinho de bom rapaz na friendzone. Esse esforço extra faz tu ir na parada 73 de Gravataí. Esse esforço extra faz tu ir a Viamão, pra levar ela pra jantar no Iguatemi, porque é pertinho. 

E sabe porque a gente faz esse esforço extra? Porque o sorriso dela vale isso. Simples.

A nossa babaquice está em criar uma expectativa idiota. Afinal ser legal com as pessoas não é motivo de medalha, não é mérito, é, ou pelo menos devia ser, a nossa maneira de conviver com as pessoas. Ser legal é uma obrigação, ou pelo menos devia ser. Mas o que precisamos entender é que ninguém tem a obrigação de retribuir nossos sentimentos, nem mesmo, de também ser legal conosco.

E de novo a gente se pergunta: isso é justo?

Eu estou me segurando pra dizer que não é, e listar um monte de motivos sobre o porque todo mundo merece mais um pedaço de torta e aquele #mimimi todo, porém eu acho que as coisas só são assim. Não é uma questão de justiça. Eu me dei conta disso porque refletindo sobre isso eu cheguei a conclusão que eu também já coloquei alguém na friendzone. Não fiz isso com intenção de machucar ninguém, apenas não tinha aqueles sentimentos para retribuir e entendo que, mesmo inadvertidamente, eu possa ter machucado alguém.

Mas e como se sai da friendzone? Essa é a pergunta que intriga filósofos desde o início dos tempos, O Banquete de Platão tenta responder isso.

Na minha experiência, chega uma hora que a gente cansa de ficar girando e não sair do lugar, e vai embora. Arrebenta a porta da máquina de lavar e foda-se, eu não quero ser teu amigo. Isso não significa deixar de ser um cara legal, ou de tratar bem as pessoas, mas apenas se afastar pra achar as meias que perdemos no meio do caminho.

Também existe uma outra verdade, talvez só não queiram te ver pelado.

“Quando um homem, quer tenda para os rapazes ou para as mulheres, encontra aquele mesmo que é a sua metade, é um prodígio como os transportes de ternura, confiança e amor os tomam. Eles não desejariam mais separar-se, nem por um só instante. E pensar que há pessoas que passam a vida toda juntas, sem poder dizer, diga-se de passagem, o que uma espera da outra; pois não parece que seja o prazer dos sentidos que lhes faça encontrar tanto encanto na companhia uma da outra. É evidente que a alma de ambas deseja outra coisa, que não pode dizer, mas que adivinha e deixa adivinhar.” 

Platão, O Banquete

 —

M. Soares

soaresontheroad@yahoo.com

Soares Chronicles #102: O Fantaspoa, O Led Zeppelin e o Aspirador de Pó

‘Why is it all Mr Dibbler’s films are set against the background of a world gone mad?’ said the dwarf.
Soll’s eyes narrowed. ‘Because Mr Dibbler,’ he growled, ‘is a very observant man.’

Terry Pratchett, Moving Pictures

Se tu chegou até aqui, tu deve me conhecer. Então tu já sabe que eu não gosto de nada. Se tu não me conhece, a principal coisa que tu deve saber a meu respeito é isso: eu não gosto de nada.

Eu vejo um filme, eu reclamo. Eu leio um livre, eu reclamo. Eu escuto uma música, eu reclamo. Tu pode pensar: é um reclamão, ou ser mais poético e dizer: um eterno insatisfeito. Outra coisa que eu descobri, quanto mais recente são as coisas, mais provável que eu não goste.

O que a maioria dos espíritos zombeteiros que me criticam constantemente não entendem é que eu  me entedio facilmente, eu preciso de constantes desafios. Atualmente no entretenimento isso é muito difícil, porque é tudo igual, a impressão que eu tenho é que eu já vi todos os filmes, eu já escutei todas as musicas, não há nada de surpreendente.

Outro dia eu tava numa fila qualquer, e a TV, na MTV, que até me surpreendeu por ainda existir, e eu vi três clips enquanto esperava: Rihanna, Wanessa (que pelo que eu pude entender é a Vanessa Camargo cantando em inglês) e a Selena Gomez.

Sabe o que mais me surpreendeu em relação a eles?

São todos iguais, se tu trocar as músicas, nem elas percebem. Verdade que o volume tava muito baixo então, felizmente, não deu pra ouvir direito. Sério, a mesma roupa, a mesma maquiagem, a mesma coreografia, os mesmos trejeitos pseudo-sensuais, o mesmo enquadramento, era tudo praticamente igual. Eu fiquei pasmo, foi uma das coisas mais ridículas que eu vi na vida. Parecia um looping infinito as mesmas caras e bocas com a mesma batidinha pseudo-eletrônica de fundo… mas faz sucesso. E isso que importa, certo?

Certo. Existe uma Formula pra fazer sucesso. Não só na musica, mas pra toda indústria do entretenimento, mais exemplos?

Recentemente eu vi o Star Trek 2, Jack, o Caçador de Gigantes e o, bom, eu não me lembro do outro exemplo que eu ia dar, então vou falar mal do Hobbit. Sabe qual a diferença entre eles? Nenhuma, devem ter usada até o mesmo fundo verde pra fazer o cenário no computador.

Todos usam a mesma fórmula, o protagonista é relutante, destemido, ainda não provou seu valor, mas é levemente engraçado, o que faz a gente simpatizar com ele; ele tem um amigo sisuso, que gosta de cumprir as regras; ele tem um mentor, que ensina lições de vida e de vez em quando dá a morta; tem um outro amigo que, aparentemente, não serve pra nada, mas no final é ele que salva todo mundo. E sério, eu acho que o vilão de todos os filmes é um traidor.

Esse é o problema, eu já vi o filme. Tu mudou o cenário, o nome dos personagens, mas o filme é o mesmo. Essa descrição serve pro Indiana Jones e a Última Cruzada, que tem 20, 25 anos. E se a gente quiser forçar muito a metáfora é o Novo Testamento.

Mas de quem é a culpa da fórmula?

Eu acho que é do Led Zeppelin.

Calma, larguem as foices e os ancinhos e apaguem a fogueira, eu explico.

Eu acho Led do caralho, a maior banda de rock da história, tecnicamente perfeito, Kashmir é o rock definitivo. Mas é uma fórmula.

Mas até aí, Iron Maiden é uma fórmula, Stones é uma fórmula e o Justin Bieber também é uma fórmula.

Mas porque a culpa é o Led?  Porque, na minha opinião, que não sou historiador da música nem nada, eles são a primeira banda ostensivamente comercial. Eles não se falavam, eles não se gostavam, eles não conversavam além do necessário, qualquer banda teria acabado, eles resolveram continuar se agüentando pra ganhar dinheiro e comer groupies. Genial.

Eles não são aquela história romântica do grupo de amigos ensaiando na garagem e insistindo em fazer o “som deles” até alcançarem o sucesso e a fortuna. Eles são profissionais, fazendo o que profissionais fazem, ganhando dinheiro. E no caso de músicos profissionais dos anos 70, comendo groupies e usando todas as drogas possíveis.

E isso funcionou tanto que todo nosso entretenimento, com raríssimas exceções é formulado. A banda já faz sucesso antes de ser lançada, o filme já tem a lista do que pode ou não pode aparecer para fazer sucesso.

A fórmula é o aspirador de pó do entretenimento.

Na minha, admito que recente e curta, experiência como dono de casa, descobri no aspirador de pó meu maior aliado. Ele limpa praticamente tudo, chão, sofá, mesa, cadeiras, fogão, cama, com uma facilidade incrível. É impressionante. Uma das maiores invenções da humanidade. O cara que inventou o aspirador de pó, Sr Ives McGaffey, em 1869, tinha a fórmula do sucesso nas mãos, facilitar a vida das pessoas.

Isso é o que a indústria do entretenimento tá fazendo, facilitando a nossa vida. Como é sempre o mesmo filme, eles não precisam explicar muito, mas só pro caso de tu não entender direito, em algum momento o mentor dá a morta, ou o vilão faz um nem mais tão longo assim discurso explicando tudo tim por tim pra ti não ter dúvida. É o filme a prova de burro.

Mas, um dia, a fórmula faz a volta e morde a nossa bunda. Mas eu falo sobre isso no mais tarde.

Um dos raros momentos em que eu consigo ir no cinema e não sair dizendo que o filme é uma bosta é no Fantaspoa, uma coleção de filmes diferentes, que não pegariam o circuito comercial de jeito nenhum e são uma grata surpresa no cenário de Porto Alegre, vou fazer um breve comentário sobre cada um dos que eu vi, para reviews mais profundos e completos, visitem o Review Maluco do Rodrigo Fattore (http://reviewmaluco.blogspot.com.br/). Eles não estão em nenhuma ordem particular.

Os critérios de avaliação foram os seguintes:

Entretenimento: O quão divertido e interessante é o filme.

Bizarrice: O quão bizarra é a história do filme.

Peitos: A qualidade ou quantidade de peitos que aparecem no filme.

Vagabunda: Quantas vezes eu tive vontade de gritar “Vagabunda!” devido a conduta moral dos personagens do filme.

 

Despertar dos Mortos (Dawn of the Dead, 1979, George A Romero)

Clássico do apocalipse zumbi do Romerão, o inventor do gênero. Refugiados no shopping vão levando a vida numa boa até uma gang de punks aparecer e tocar o terror. É um baita filme, não tem cenas muito fortes, nem violência desmedida e a trilha do Goblin é uma pérola. Dá até pra fazer uma leitura sobre o consumismo e a cultura do shopping center, que na época era novidade. E sim, tem um final alternativo, bem mais desesperador que muda muito a experiência de ver o filme, eu achei o youtube uns anos atrás mas é um saco de procurar.

Entretenimento: 3/5 – Bizarrice 2/5 – Peitos 0/5 – Vagabundas 0/5

 

Suspiria (Suspiria, 1977, Dario Argento)

Clássico absoluto do Dario Argento. Um dos filmes mais tensos da história, a cena do banheiro é enlouquecedora, logo no início do filme. Estudante de intercâmbio americana vai para escola de ballet demoníaco na Alemanha, o resto se escreve sozinho. Um puta filme. Vejam com o volume no máximo porque a trilha sonora é parte crucial da experiência.

Entretenimento 4/5 – Bizarrice 4/5 – Peitos 1/5 – Vagabundas 1/5

 

Cru (2011, Jimi Figuereido)

Eu tenho a teoria de que filme brasileiro ou é pornochanchada ou é sobre a pobreza, esse é sobre a pobreza. Mas é um bom filme. O filme é basicamente um diálogo, num açougue, entre três personagens, o açougueiro homossexual, o forasteiro que quer contratador um assassino profissional e o tal assassino. A conversa vai e vem e no final tem uma revelação, talvez nem tão surpreendente assim. Mas é um bom filme, os diálogos são excelentes e o visual do filme é muito bom.

Entretenimento 3/5 – Bizarrice 1/5 – Peitos 0/5 – Vagabundas 1/5

 

Godzilla (1977, Luigi Cozzi, Ishiro Honda, Terry O. Morse)

Picaretagem italiana em cima de uma picaretagem americana. Como todo mundo sabe o Godzilla original japonês foi comprado pelos americanos que picotaram o filme, criaram um novo personagem, um jornalista, e montaram meio que um novo filme. E o italiano Luigi Cozzi fez exatamente isso, de novo. Ou seja, ele pegou a versão americana, repicotou, inseriu mais umas cenas de um documentário sobre a segunda guerra, utilizou a técnica de colorização Spectorama 70 (largou umas melecas coloridas em cima do celulóide e era isso) e lançou na Itália. A cópia que passou aqui era um VHS Rip com as propagandas de uma loja de departamentos italiana no meio do filme. Uma bosta, só para aficionados pelo Godzilla.

Entretenimento 1/5 – Bizarrice 5/5 (a meleca) – Peitos 0/5 – Vagabunda 1/5

 

Mar Negro (2013, Rodrigo Aragão)

Não, até onde eu sei o Rodrigo Aragão não tem nada a ver com o Didi. Como todo filme brasileiro ele começa contando a história de dois pobres pescadores, um dos quais vai ser infectado e virar um zumbi, e depois durante a noite, temos a inauguração do puteiro regional, com cenas de pornochanchada (uma menção especial aos peitos da Giselle Ferran, motivo mais do que justo para ver o filme). Durante a inauguração de tal puteiro, ataque zumbi, e o resto se escreve sozinho. Dá pra notar, que o filme começa sério e com um visual muito bacana, mas em terminado momento, a inauguração do puteiro, ele vira uma pornochanchada com zumbis, mas é divertido.

Frase do filme: “Quem não tem cu não faz contrato com pica. “Otto, Seu.

Entretenimento 4/5 – Bizarrice 3/5 (a carne de barril) – Peitos 4/5 – Vagabunda 3/5

 

A Força dos Sentidos (1979, Jean Garrett)

Pornochanchada brazuca, setentista, da boca do lixo, espírita, feita por uma amigo do Mojiquinha (teu currículo nunca vai ser tão legal quanto isso). Apesar do titulo o filme não faz o menor sentido, não importa quanta força tu faça. Basicamente são desculpas pro mesmo cara comer todas as mulheres do filme, inclusive a saudosa Aldine Muller, e um cachorro. E também era um VHS Rip vagabundo. Só vale a pena se tu curte peitos dos anos 70 (sem silicone), narizes dos anos 70 (sem plásticas) e dentes dos anos 70 (sem aparelhos).  No mais, uma bosta.

Entretenimento 2/5 – Bizarrice 3/5 – Peitos 3/5 – Vagabunda 18/5

 

Zombio 2: Chimarrão Zombies (2013, Peter Baiestorf)

Uma comédia pornochanchada de baixíssimo orçamento do terror de Palmitinho, Peter Baiestorf. A erva-mate de uma pequena comunidade do interior de Santa Catarina foi contaminada pelos dejetos nucleares das inescrupulosas Industrias Cronenberg, e aqueles que tomam chimarrão com tal erva, viram zumbis sedentos por sangue. Um filme engraçadíssimo, uma espécie de Trapalhões, do início dos anos 80, com sangue e peitos de fora. Falando em peitos, a Giselle Ferran em toda a sua glória, o próximo filme podia ser ela, pelada, pulando numa cama elástica, clássico instantâneo.

Frase do filme: “Boquete não se nega a ninguém.” Não faço a menor idéia do nome do personagem dela.

Entretenimento 4/5 – Bizarrice 3/5 – Peitos 5/5 – Vagabunda 5/5

 

Cockneys VS Zombies (2012, Matthias Hoene)

Baita filme de zumbi, em East London um grupo de criminosos, sem nenhuma habilidade, resolve roubar um banco, para impedir que o asilo onde o avô deles mora seja vendido. Durante o assalto, apocalipse zumbi. Aí eles decidem ir até o asilo salvar os velhinhos dos zumbis. Um filme engraçadíssimo, tem dúzias de piadas que nós fizemos por aqui, é mais ou menos como um apocalipse zumbi em Alvorada. A cena do bebê foi baseada na vida e obra do Cairú.

Entretenimento 4/5  – Bizarrice 2/5 – Peitos 0/5 – Vagabunda 1/5

 

Zombibi (2012, Martjin Smits, Erwin van den Eshof)

Quatro quase amigos são presos durante uma festa e passam a noite na cadeia. Durante a noite, apocalipse zumbi. No outro dia pela manhã, um deles recebe uma ligação da sua quase namorada, que está presa num prédio no centro da cidade que parece ser o foco da infestação, ele convence a trupe, agora com a ajuda de uma policial gostosérrima e um executivo a salvá-la. Piadas bem sacadas e um ritmo muito bom, vale a pena procurar na internet. Ah, o filme é em Amsterdam.

Entretenimento 4/5 – Bizarrice 2/5 – Peitos 0/5 – Vagabunda 3/5

 

Black Out (2012, Arne Toonen)

Um filme do tipo golpe que dá errado, vejam antes que Hollywood faca uma versão boazinha com o Jason Statham. Um ex-presidiário, na véspera do seu casamento, acorda sem se lembrar da noite anterior e devendo 20 quilos de cocaína para traficantes da pesada. Eu achei o filme muito bacana, com um ritmo muito bom, admito que não tem nenhuma surpresa e é um filme de fórmula de golpe que dá errado. Destaque pras irmãs Schuurman que arrasam como uma dupla de assassinas profissionais.

Entretenimento 3/5 – Bizarrice 1/5 – Peitos 0/5 – Vagabunda 2/5

 

Dead Sushi (2012, Noboru Iguchi)

O cinema japonês em toda a sua glória e estranheza. Sushis contaminados por uma fórmula regeneradora atacam pessoas e as transformam em zumbis assassinos. A única esperança está em Keiko, a filha desgracada de um grande sushiman que precisa reencontrar sua sushimanship interior com a ajuda de Ovinho, um sushi de omelete que sofre bullying dos outros sushis por não ser de peixe. É o filme mais bizarro e sem sentido do Fantaspoa. Vale a pena só pela imprevisibilidade, não da história, mas da próxima cena. Não vou contar mais nada, pra não estragar o filme.

Frase do filme 1: “A partir de agora nada mais faz sentido.”

Frase do filme 2: “Agora eu renasço como o ATUM!”

Entretenimento 5/5 – Bizarrice 5/5 – Peitos 1/5 – Vagabunda 3/5

 

Eega (2012, S. S. Rajamouli, J. V. V. Sathyanarayana)

O melhor filme do Fantaspoa 2013. Nani é um rapaz que acredita no amor e está apaixonado por Bindu, que se faz de difícil. Há dois anos. Mas Nani é um believer, rapaz pobre e batalhador. O que ele não contava é que aparecesse Sudeep, cara rico, canastrão e barbudo, tudo que as mulheres atuais gostam. Bindu, finalmente, começa a responder aos afetos de Nani, Sudeep, enlouquecido de ciúme, resolve matar Nani. Mas como estamos na Índia, Nani renasce como uma mosca sedenta por vingança. Sério, vejam antes que Hollywood transforme esse clássico numa comédia romântica com o Ben Stiller e a Katherine Heigl, isso vai acontecer, podem escrever.

Frase do filme: “Mosca! Mosca! A morte se ajoelha perante o seu poder!” trilha sonora original, como é um filme indiano é cheio de musiquinhas.

Entretenimento 5/5 –  Bizarrice 3/5 – Peitos 0/5 – Vagabunda 1/5

 

The Human Race (2012, Paul Hough)

Um filme bastante interessante sobre uma corrida. 80 pessoas são abduzidas e aparecem num local desconhecido e escutam as regras para a corrida: “se pisar na grama, morre; se sair do caminho, morre; se for ultrapassado duas vezes, morre; corre ou morre”. Claro, tem a saída óbvia, uma fila indiana, ou todo mundo ficar sentado, mas a raça humana (aqui o trocadilho do título) não é conhecida por cooperar entre si. Um bom filme, que vale a pena ser visto, os protagonistas são bem diferentes do usual, o início tem uma reviravolta que eu não esperava (que mostrou que não era um filme bonitinho) e o final tem uma sacada muito tri. Eu admito que o final do filme achei meio bobalhão, se fosse mais tipo “O Cubo” eu acho que ficaria mais tri, mas vale a pena.

Entretenimento 4/5 – Bizarrice 2/5 – Peitos 0/5 – Vagabunda 1/5

 

Lágrimas Vermelhas (Red Tears-Korui, 2011, Takanori Tsujimoto)

Filme japa-taca sobre vampiros. Uma bosta.

Entretenimento 1/5 – Bizarrice 1/5 – Peitos 1/5 – Vagabunda 2/5

 

Lobos de Arga (2011, Juan Martinez Moreno)

Comédia de lobisomens espanhóis, muito divertida, com bons efeitos e apesar de ser um filme engraçado o diretor não quis apostar uma diversão infantil, pagou o preço e fez um filme violento com sangue, mutilações e muita porrada. Eu achei os lobisomens meio bundões, mas como tem um monte de lobisomens não pode ser muito difícil de matá-los. Vejam, antes que Hollywood transforme num filme infantil com a Dakota Fanning.

Frase do filme: “É preciso surpreender o inimigo.” Policial com alguns parafusos a menos.

Entretenimento 4/5 – Bizarrice 1/5 – Peitos 0/5 – Vagabunda 1/5

 

Trash 2: As tetas de Ana L. (Trash Dos: Lãs Tetas de Ana L., 2013, Alejo Rebora)

Uma bosta. Filme miguelito feito de forma experimental com um único e principal motivo: chocar o espectador. A triste história de Ana L que acorda, seqüestrada, mutilada, foge e sai a procura de suas tetas serve como um pano de fundo pra uma coleção de cenas bizarras, violentas, nojentas e sem sentido. O plano é óbvio, ter toda uma comoção sobre o porque tu não deve ver o filme pra todo mundo ficar curioso, ver o filme e eles encherem o cu dinheiro. Parece que o Trash Uno tem no youtube. Mas não vejam o filme, porque ele é ruim, são duas horas que não vão voltar, quinze minutos dos quais é um cara limpando coco de cachorro num tapete de um táxi.

Entretenimento 1/5 – Bizarrice 18/5 – Peitos 0/5 (apesar do título, nenhum é bonito) – Vagabunda 5/5 (Ana L, baita vagabunda)

 

A Segunda Morte (La Segunda Muerte, 2012, Santiago Fernandez Calvete)

Baita filme miguelito, uma pequena e pacata cidade do interior argentino (a monotonia do interior é muito ressaltada pelo ritmo do filme e a fotografia em sépia que fica do caralho) tem sua tranqüilidade abalada pelo assassinato dos membros de uma família, queimados, em posição de reza. A policial que investiga o caso consegue a ajuda de uma criança, com supostos poderes paranormais. Surpreendente mesmo, fantástico, vejam, vejam, vejam. O guri do filme tá sensacional, o fotografia do filme é maravilhosa, a atriz que faz a policial segura o filme nas costas e a escolha do assassino é de uma coragem impressionante. Eu duvido que Hollywood tenha coragem de fazer um filme parecido.

Entretenimento 5/5 – Bizarrice 4/5 – Peitos 0/5 – Vagabunda 1/5

 

Premutos (Premutos – Der gefalle Engel, 1997, Olaf Ittenbach)

VHS Rip com a dublagem de todas as vozes feita pelo mesmo cara, levemente fora de sincronia, parece um pornô de orçamento baixo e duvidoso. Premutos é um anjo caído que volta e meia, quando alguém encontra um livro e lê o que tá escrito, volta comandando um exército de zumbis, mas dessa vez ele se dá mal, por que nosso protagonista borra-bosta encontra um tanque no porão e baixa o cacete na zumbizada.

Entretenimento 2/5 – Bizarrice 3/5 – Peitos 1/5 – Vagabunda 2/5

 

Esses foram os filmes que eu vi, eu sei que muitos desses filmes também seguem fórmulas, todos os filmes de zumbis, seguem as mesmas fórmulas, até as Tetas de Ana L segue uma fórmula, senão a fórmula da história, a fórmula do choque, que é a mesma do Hostel, do Código da Vinci, do Serbian Movie que são filmes ou livros que não tem nada de mais, mas como o Papa disse que não é pra ver, eu quero ver. E aí eu deixo o cara rico com um livro totalmente descartável, que é exatamente igual aos outros.

Eu vou supor que O Despertar dos Mortos e o Suspiria vocês já viram, então vejam: Eega, The Human Race e A Segunda Morte. Foram os melhores filmes que eu vi no Fantaspoa. Esses realmente fogem da fórmula, pelo menos o suficiente.

Ah, e quando a fórmula vai fazer a volta e morder a nossa bunda? O dia que eu for limpar o aspirador, que todo o trabalho que eu economizei fazendo o mais fácil se tornar uma coisa muito mais difícil de ser feita.

O dia que o nosso emburrecimento consentido nos tornar pessoas que se ofendem por qualquer coisa, que não podem pensar em nada, porque o importante é pensar antes no que vão pensar de nós, aí a gente vai ter mais trabalho pra voltar a fazer algo interessante.

Acho que a gente tá mais perto disso do que a gente imagina.

“Cinema-verdade? Prefiro o cinema-mentira. A mentira é sempre mais interessante do que a verdade.”

Frederico Fellini

M. Soares

soaresontheroad@yahoo.com

Soares Chronicles #101: 2013, o Ano da Reconciliação

What else should I be?

All apologies

What else could I say?

Everyone is gay

What else could I write?

I don’t have the right

What else should I be?

All Apologies.

In the sun

In the sun I feel as one

In the sun

In the sun

Married!

Buried!

I wish I was like you

Easily amused

Find my nest of salt

Everything is my fault

I’ll take all the blame

Aqua seafoam shame

Sunburn, freezerburn

Choking on the ashes of her enemy

In the sun

In the sun I feel as one

In the sun

In the sun

Married, Married, Married!

Buried!

Yeah yeah yeah yeah

All in all is all we are

All Apologies, Nirvana

 

É, eu sei, post atrasado e tudo o mais. Afinal o ano da reconciliação já está na metade, sua principal razão de ser já foi resolvida e eu não falei nada sobre isso.

O ano passado foi mais interessante, eu falava “é o ano das más decisões”e o pessoal me olhava com aquela cara do que esse cara tá falando? Agora, 2013, o ano da reconciliação não causa tanto espanto.

Enfim, a idéia é a seguinte, durante o ano de 2012, um amigo meu, de muitos anos, me pediu um favor: que eu não o convidasse para mais nada. Ele me pediu isso por motivos que não vem ao caso, ou seja, a mulher dele mandou. Eu, muito prestativo, cumpri o pedido a risca. Com extrema competência até. Ele ficou puto com isso.

Já é conhecimento público que se tu quiser brigar com alguém é fácil, é só fazer exatamente o que essa pessoa pediu. Não tem erro. Experimentem.

Ao longo do restante do ano de 2012, alguns amigos foram constantemente apontando que eu estaria errado em fazer exatamente o que haviam me pedido. Vale ressaltar que eles só enchiam o meu saco, o de quem me pediu, não. Pra esse cara eles nunca falaram nada, o idiota da história era só eu e só o meu saco eles aporrinhavam.

Então ao final do ano de 2012 eu propus que 2013 fosse o ano da reconciliação, onde eu, com sinceridade e pureza no coração, na primeira oportunidade, buscaria a reconciliação e retomada de nossa amizade com esse amigo, com a qual, presumivelmente eu havia errado. Isso aconteceu logo cedo no ano. Talvez por isso que a tagline da reconciliação tenha perdido um pouco a graça.

E agora fazendo uma pequena reflexão, eu cheguei a conclusão que eu briguei com pouca gente durante a vida. Algumas pessoas escolheram se afastar, as outras eu escolhi me afastar, mas não brigamos. Algumas realmente brigaram comigo, apesar de que eu não tenha brigado com elas, veja bem, não significa que eu não tenha dado motivos para brigarem comigo, isso é outra história. Só algumas vezes, que talvez não encham uma mão, eu realmente comprei uma briga e fui até as últimas conseqüências. Só as vezes que eu me importei o bastante. Como essa.

E sabe o que mais? Eu brigava de novo. Fazia tudo novo. Por que? Porque eu acho que eu tava certo. Aliás, eu acho o cacete, eu tenho certeza que eu estou certo.

Afinal, eu tenho a idéia de que quando alguém te pede alguma coisa, não faz diferença o que, ela sabe o que tá fazendo. Ela refletiu, pensou nas conseqüências e chegou a conclusão que pedir aquilo é uma boa idéia, porque isso é o que ela quer. Mais ou menos como ir no Mcdonalds, tu olha as figurinhas, escolhe a que te agrada mais e pede, sei lá, um Big Mac, se tu não gosta de picles, tu não pede o Big Mac, simples.

Depois de uma certa idade a gente tem que saber o que está fazendo. Eu entendo que nem sempre a gente sabe, mas isso não serve mais como desculpa. Eu realmente acredito que eu tenho que saber o que eu faço. Mesmo. Nesse exato instante eu sei o que eu estou escrevendo e acho que vale a pena eu escrever isso. É parte crucial do nosso amadurecimento como ser saber o que a gente faz, ter certeza de que isso é o que a gente quer, assim como também é reconhecer o nosso erro.

Entendam, eu não acho que um de nós estivesse realmente errado, cada um de nós fez o que achou certo. Acho que a única diferença é que eu sabia o que eu estava fazendo.

“Ninguém presta à sua geração maior serviço do que aquele que, seja pela sua arte, seja pela sua existência, lhe proporciona a dádiva de uma certeza.”

James Joyce

M. Soares

soaresontheroad@yahoo.com

Soares Chronicles #100: O Gordo Sincero

Bloodlust tonight, bite my tongue and hold it in
From deep inside she hates the every part of him
In the rupture of the midnight sun
She is longing for immortal love
You who hangs high, tell me will it ever end?
Oh, oh, whoa, oho

Here comes the bad rain,
Falling from an aching high
Here comes the bad rain,
Don’t know when it’s gonna stop

She’s somewhere else, should be lying next to me
Under the spell, tangled in her ecstasy
From the day she gave a streaming like
Let them pray on her like a sacrifice
Since you deny everything so easily
Oh, oh, whoa, oho

Here comes the bad rain,
Falling from an aching high
Here comes the bad rain
Don’t when it’s gonna stop

And in the madness of this love
She won’t surrender ‘til it’s gone
And so I’m lost away
God this life can last forever

And so it ends, kisses me and kills the lights
The living dead always be the satisfied

Here comes the bad rain,
Falling from an aching high
Here comes the bad rain
Don’t when it’s gonna stop.

Bad Rain, Slash

 

Tenho visto muitos comentários, nas redes sociais, sobre ser Gordo. Como eu me enquadro nessa categoria, sempre que alguém fala num gordo, seja lá quem e o que for, poderia estar falando de mim. E como eu sou gordo desde sempre, acho que posso falar com propriedade sobre o assunto.

O primeiro ponto, o que faz alguém ser gordo. Fácil: comer. Isso é o que faz alguém ser gordo. Ah, mas eu sou ansiosa. Ah, mas eu tenho problemas de hormônios. Sim, eu sei, existem maneiras de lidar com isso, inclusive comendo. Eu entendo que as pessoas tem problemas, mas existem soluções. O gordo sincero, come. E come de verdade. Come profissionalmente, come no atacado, e diversas outras piadas infames.

Eu sempre gostei de comer, algo que sempre me trouxe profunda satisfação, em busca dessa satisfação eu já enfrentei diversas aventuras gastronômicas, 17 bolas de sorvete, 53 fatias de pizza, 2 Coqueirões, 2 Eu Sou a Lenda, 1 super pizza inteira, 5 cumbucas de mocotó do Bristol. Mas eu nunca comi um pé de alface inteiro.

Vocês notaram um padrão? Gordo só come coisas gordas.

Salada não em graça, gordo não gosta de arroz e feijão, faz logo uma feijoada. Light? Não, eu quero duplo com cobertura extra.

O gordo não é exagerado, ele acha que todo mundo come que nem ele. Ou pelo menos deveria.

Eu estou enumerando algumas características do gordo, não estou defendo o modo de vida gordo.

Aliás, pensando bem, é tão impossível defender o modo de vida gordo quanto defender o fumo. Ah, sim, além de gordo eu gosto de fumar um cachimbinho, vez que outra, eu estou longe de ser saudável.

Esse parece ser o melhor motivo para emagrecer, é inegável que uma pessoa magra tem mais chance de ser saudável que uma gorda. O magro tem mais resistência física, menos dores (particularmente nas costas e nos joelhos), índices médicos dentro da normalidade (os meus batem recordes, mas lembrem-se eu não sou saudável) e outros diferenciais competitivos.

Enfim, do ponto de vista do gordo, o magro tem uma vida mais fácil.

Uma das coisas que me impressiona bastante nesse mundo conectado é a necessidade constante que as pessoas tem de compartilhar a sua vida. Eu entendo que as pessoas precisam de apoio, todo mundo gosta de ter gente torcendo por nós, um parabéns no fim do bimestre eliminaria boa parte dos psicopatas do cinema. Eu entendo isso, e uma das coisas que muitas gurias gostam de compartilhar com o mundo é a sua dieta. Algumas até usam um “#”e colocam assim: “#ProjetoFulanaGostosa”.

Eu ainda não vi um #ProjetoFulanaSaudavel, nem mesmo um #ProjetoFulanoGostoso, e eu morreria de rir de um #ProjetoFulanoEmBuscaDeUmColesterolAceitavel. E é por isso que, para não ficar me repetindo, eu vou escrever com os adjetivos no feminino, ok?

Eu acho interessante como essas idéias, so ser gostosa e do ser saudável se relacionam: tu quer ser gostosa, porque isso é saudável? Tu quer ser saudável, porque isso é ser gostosa? Ou ser gostosa é conseqüência (coincidentemente) do ser saudável? Ou ser saudável é uma conseqüência de quem é gostosa?

Honestamente, eu acho que tu quer ser gostosa, foda-se o resto.

Algum tempo atrás li um texto de uma dessas gurias, o nome do texto era “O homem do olhar triste” e eu achei o texto muito bom, bonito na sua simplicidade, emocionante até. Eu entendi o homem do olhar triste, em algum momento da vida eu fui o homem do olhar triste.

O Homem do Olhar Triste é um cara comum, ele quer mudar a vida dele, quer ser saudável, mas é difícil, tem que ter forca de vontade, o resultado não vem do dia pra noite, não é amanhã, nem a semana que vem. A guria que escreveu o texto, tenho certeza, foi uma menina de olhar triste e, aparentemente, conseguiu mudar a sua vida. Mas também mudou suas palavras – e por isso eu parei de acompanhar.

Honestamente, não dou a mínima, eu já tive 17 anos e todas as respostas do mundo. Hoje eu não tenho mais, nem 17, nem as respostas. Eu posso apenas não ler.

Eu não vejo problema nenhum em tu querer emagrecer pra ficar mais bonita, atraente, enfim gostosa. Tu deve ter os teus motivos, inseguranças, traumas, necessidades, sei lá. Eu não vejo problema nenhum, não porque eu concorde, mas porque eu não me importo.

Outra coisa que aparece bastante é o famoso “preciso emagrecer pra arranjar um(a) namorada(o)”. Aqui eu vou trocar o gênero, ok? Eu me identifico mais com essa afirmação.

A questão implícita nessa afirmação é: Quem pega mais mulher? O gordo ou o magro?

E a resposta correta é: O Cafajeste. Sim, elas sabem, mas, aparentemente gostam. Única coisa que tu, que quer pegar mais mulher, seja magro ou gordo precisa saber: mulher não gosta de homem bonzinho. Eu escrevi isso 1001 vezes na parede de uma caverna africana pra aprender. E ainda assim, me ferro. Eu não vou entrar nesse assunto, mas se o teu negócio é pegar mais mulher, seja um cafajeste, não perde teu tempo emagrecendo.

Porém, se tu não é um cafajeste, há mais motivos pra ti não pegar mulher, geralmente, tu é inseguro ou tu é um idiota. Ou os dois, acontece bastante. Agora, tu pode ser gordo, inseguro e idiota, e aí, tu vive no Hard Mode no jogo da vida. Mas eu te entendo, eu  vivo no Hard Mode.

Eu já tentei sair do Hard Mode, emagreci 20/25kg mais de uma vez, basta uns seis meses de privações e mau humor constante. Sabem o que mudou?

Nada, não peguei nem mais, nem menos mulheres. Se esse numero é grande ou pequeno é outra questão.

O que eu quero dizer é que o tamanho da tua barriga não é o maior dos teus problemas.

Eu sei que nós passamos a vida inteira ouvindo que o que importa é quem nós somos e não o que nós parecemos. E demora, pelo menos um coração partido, pra aprender que isso é besteira. Mas será que é?

Pra quem gosta de ti, não faz diferença. Pra ti te sentir atraído, ou atrair alguém, faz. Depende do que tu quer.

Mas isso não é problema meu. Nada disso é.

Eu só quero dizer que a aprovação das outras pessoas é muito mais fácil que a tua própria. Mas tu tem que ser quem tu quiser ser, gordo, magro, gostoso, feio, na minha opinião só tem uma coisa que tu tem que ser.

Verdadeiro.

 

M Soares

soaresontheroad@yahoo.com

Soares Chronicles #99: Uma Palavra

[Boy:] On a hot summer night, would you offer your throat to the wolf with the red roses?
[Girl:] Will he offer me his mouth?
[Boy:] Yes.
[Girl:] Will he offer me his teeth?
[Boy:] Yes.
[Girl:] Will he offer me his jaws?
[Boy:] Yes.
[Girl:] Will he offer me his hunger?
[Boy:] Yes.
[Girl:] Again, will he offer me his hunger?
[Boy:] Yes!
[Girl:]And will he starve without me?
[Boy:] Yes!
[Girl:] And does he love me?
[Boy:] Yes.
[Girl:] Yes.
[Boy:] On a hot summer night, would you offer your throat to the wolf with the red roses?
[Girl:] Yes.
[Boy:] I bet you say that to all the boys!

It was a hot summer night
and the beach was burning.
There was fog crawling over the sand.
When I listen to your heart
I hear the whole world turning.
I see the shooting stars falling
through your trembling hands.

You were licking your lips
and your lipstick shining.
I was dying just to ask for a taste.
We were lying together in a silver lining
by the the light of the moon.
You know there’s not another moment
Not another moment
Not another moment to waste.

You hold me so close that my knees grow weak.
But my soul is flying high above the ground.
I’m trying to speak but no matter what I do
I just can’t seem to make any sound.

And then you took the words right out of my mouth.
Oh it must have been while you were kissing me.
You took the words right out of my mouth.
And I swear it’s true,
I was just about to say I love you.
And then you took the words right out of my mouth.
Oh it must have been while you were kissing me.
You took the words right out of my mouth.
And I swear it’s true,
I was just about to say I love you.

Now my body is shaking like a wave on the water
And I guess that I’m beginning to grin.
Oh we’re finally alone and we can do what we want to.
The night is young
And Ain’t no-one gonna know where you
No-one gonna know where you
No-one’s gonna know where you’ve been.
You were licking your lips
and your lipstick shining.
I was dying just to ask for a taste.
We were lying together in a silver lining
by the the light of the moon.
You know there’s not another moment
Not another moment
Not another moment to waste.

And then you took the words right out of my mouth.
Oh it must have been while you were kissing me.
You took the words right out of my mouth.
And I swear it’s true,
I was just about to say I love you.
And then you took the words right out of my mouth.
Oh it must have been while you were kissing me.
You took the words right out of my mouth.
And I swear it’s true,
I was just about to say I love you.

You took the words right out of my mouth, Meat Loaf

 

Eu pensei em escrever só uma palavra hoje. Mas achei que ia ser pretensioso demais até pra mim. Mas eu gosto de palavras, da palavra certa, da frase que não precisa ser perfeita, mas bem usada, no momento certo.

 É por isso que eu acho engraçado como uma palavra pode causar tanta confusão entre as pessoas. Como a mesma palavra tem diferentes significados para cada pessoa em cada situação.

 Eu aviso que vou fazer algumas considerações sem o menor sentido ou boas referencias porque eu estou com preguiça de achar os livros certo para consultar, mas foda-se.

 Na faculdade eu gostei muito de estudar dois filósofos, Quine e Wittgenstein, dois filósofos da linguagem. Duas visões bastante diferentes de como a linguagem funciona.

 O Wittgenstein vai manter que usamos a linguagem como uma forma de interpretar o mundo, é importante lembrar que o mundo são fatos, não coisas. A linguagem funciona como um modelo do mundo, é a maneira de transmitirmos um fato à alguém. Seja esse fato, o que for, contar uma história, descrever um pensamento, enfim, é a nossa maneira de comunicarmo-nos entre nós.

 Mas nossa linguagem é limitada, ela nem sempre traduz a totalidade do que queremos dizer. Vamos combinar que é um MAS bem grande. Além desse, tem outro mas: nem sempre utilizamos o mesmo “jogo de linguagem”, nem sempre falamos com alguém que sabe o que nós queremos dizer (nem sempre, provavelmente quase nunca). Pro Wittgenstein “a minha linguagem é o limite do meu mundo”.

 Já o Quine vai trabalhar dois problemas, a indeterminação da tradução e a linguagem como uma ferramenta social. Ele vai desligar a idéia de que uma palavra esta intimamente ligada à um objeto, o significado de uma palavra não está em uma correspondência à algo, mas ao modo como usamos a palavra. Cada um de nós possui o seu próprio jogo de linguagem, que pode mudar a cada ocasião, e nem sempre podemos determinar com precisão o que ela significa. É por isso que linguagem é uma coisa legal.

 A palavra se forma letra por letra na nossa mente, a frase vai aparecendo aos poucos na tela do computador, e ela vai ter um sentido totalmente diferente pra ti que ta lendo.

 É por isso, também, que ela é tão importante. É porque uma palavra pode fazer toda diferença, pode encerrar esperanças, pode abrir comportas. Uma palavra pode fazer tudo, desde que seja a palavra certa.

 Qual é a palavra certa? Não sei, eu ainda não ouvi. Mas pensa bem antes de dizer, sabe-se lá o que vão interpretar do que tu disse.

 “As fronteiras da minha linguagem são as fronteiras do meu universo.”

Ludwig Wittgenstein

 “A linguagem está nos postos de comando da imaginação.”

Gastón Bachelard, A Terra e os Devaneios da Vontade

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M Soares

soaresontheroad@yahoo.com