Soares Chronicles #88: Walking down the memory lane

If you could see me now
The one who said that he would rather roam
The one who said he’d rather be alone
If you could only see me now
If I could hold you now
Just for a moment, if I could really make you mine
Just for a while turn back the hands of time
If I could only hold you now
‘Cause I’ve been too long in the wind
Too long in the rain
Takin’ any comfort that I can
Looking back and longing for the freedom of my chains
And lying in your lovin’ arms again
If you could hear me now
Singin’ somewhere in the lonely night
Dreaming of the arms that hold me tight
If you could only hear me now
‘Cause I’ve been too long in the wind
Too long in the rain
Takin’ any comfort that I can
Looking back and longing for the freedom of my chains
And lying in your lovin’ arms again
I can almost feel your lovin’ arms again.

Lovin’arms, eu acho muito tri a versão da Etta James.

E aí? Tavam com saudades?

Pois é, eu tava com saudades de uma folha em branco. Me refiro realmente a uma folha, ou no caso tela, em branco mesmo, sem maiores conotacoes.

Mas só dessa vez.

Enfim, pensei em reativar esse cantinho do pensamento pois como um amigo meu me disse uma vez: “É muito mais fácil ter assunto quando a gente tá triste do que quando a gente tá feliz.”Um pensamento conhecido como: “Miséria gosta de companhia”.

Nem tao surpreendentemente, pensei em hoje falar sobre um dos meus assuntos favoritos, memoria e saudade, faz tempo que eu tenho pensado em uma questao: como as pessoas vao se lembrar de mim?

Isso é algo que caminha na minha cabeca já faz bastante tempo, se agravou um pouco quando meu pai faleceu, uns dois, quase tres anos atras, e recentementemente, nao mais que uns 90 dias, apareceu bem na minha frente, desenhada. Em azul.

Eu tava sentado na escada de um prédio, ali na calcada da fama, naquele momento onde depois de resolver um assunto, a gente para e pensa: que que eu vou fazer agora? Eu olhei pro lado ela vinha caminhando, com o quem, eu suponho, ser o marido e uma sacola de brinquedos, era época do dia da crianca, eu acho.

Nao tinha como fingir que nao nos vimos, ela me cumprimentou um “oi, tudo bom” eu respondi com um aceno de cabeca e um meio sorriso. Mas o que me incomodou nao foi isso, foi a cara dela ao me ver, eu só posso descrever com a expressao mais bagaceira do mundo, cara de cu (cu tem acento?).

Sabe, eu entendo que algumas coisas sejam complicadas de se administrar, entendam, eu nao quero ser amigo dela, nem nada, mas sera que eu nao merecia um aperto de mao? Um “Oi Marcelo, que bom te ver, esse é o meu (insira aqui o termo apropriado)”? Um “Bah, que que tu tá fazendo por aqui”? Ou coisa assim. Admito que eu também nao tentei iniciar nada, porque o que que a gente faz na presenca de uma cara de cu?

Enfim, será que é assim que ela se lembra de mim? Como alguém que a gente passa na rua, dá um aceno e segue a vida, sem a menor curiosidade ou um resquício de carinho. Ou melhor, de respeito.

Eu entendo que nao só com ela, mas com as minhas outras ex-namoradas (e sim, podem jogar a teoria do ex na minha cabeca como uma truta, provavelmente eu mereca), coisas aconteceram da forma como aconteceram, escolhas foram feitas, tempo foi vivido e o tempo passou, e a única coisa que me restou de todas elas foram as memorias do que a gente viveu.

E para mim, pelo menos, essas memorias são uma espécie de tesouro, porque são a única coisa que sobrou. Claro, talvez na vida delas eu seja apenas uma vírgula, um “e” enquanto elas procuravam um ponto final. Enquanto eu queria ser mesmo um adjetivo.

“Legal” já me servia. “Importante” seria a glória.

Cara, sério, no Itunes comecou Refrao de Bolero do engenheiros. Nao existem coincidencias.

Enfim, antes que eu me perca de novo.

O que eu quero dizer é que eu sempre tentei escolher como me lembrar das pessoas, nao só delas, mas até mesmo do meu pai. Havia um zilhão de coisas complicadas e até mesmo ruins que eu podia me lembrar dele, mas eu prefiro me lembrar das coisas boas, porque, literalmente, se nao fosse por ele (que nao era nenhuma flor de pessoa) eu nao seria quem eu sou hoje. Independentemente do monte de piadinhas que estao se formando na cabeca de diversos leitores, agora mesmo.

E de certa maneira, tanto elas como todas as pessoas, os amigos, os conhecidos, acho que eu nunca tive INIMIGOS, mas enfim, que passaram na minha vida também ajudaram, cada qual à sua maneira, nessa constante transformacao que é a nossa vida.

Tem coisas que eu nao quero esquecer, um beijo no elevador; descobrir que algumas estrelas ainda brilhavam no céu da falecida CB; dancar um blues no fim da noite; um “oi eu to aqui” numa mesa de bar; um beijo distraido, quase de ladinho, atrás do supermercado; e claro, descobrir que olhos podem ser de cachoeira, que uma única pessoa no mundo tem perfume de suco laranja, bem na curva da nuca com o pescoco.

É por isso que eu acredito em escolhas, e que nos somos a soma das nossas escolhas.

O que a gente escolhe, inclusive quando a gente escolhe do que se lembrar, mostra quem a gente é.

Acho que era isso, acho também que na próxima semana vou falar sobre a dieta do taxista ou as idéias para um seriado de tv: “How I Forgot Your Mother”. Mas ainda nao sei. Obrigado pela atencao de todos, vou tentar nao ser tao rabugento e melodramatico como eu ja fui.

“Chega uma época que nos damos conta de que tudo o que fazemos se transformará em lembranca um dia. É a maturidade. Para alcancá-la, é preciso justamente já ter lembrancas.”

Cesare Pasere, Il Mestiere di Vivere

 

“A lembranca serena de uma dor passada traz um prazer.”

Marcus Cicero, Epistulae ad Familiares

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