Soares Chronicles #91: Situações hipotéticas

“Down here the river, meets the sea
And in the sticky heat I feel ya’ open up to me
Love comes out of nowhere baby, just like a hurricane
And it feels like rain
And it feels like rain
Lying here, underneath the stars right next to you
And I’m wondering who you are and, how do you do? How do you do, baby?
The clouds roll in across the moon, and the wind howls out your name
And it feels like rain
And it feels like rain
We never going to make that bridge tonight baby
Across lake Ponchartrain
And it feels like rain
And it feels like rain
So batten down the hatch baby, and leave your heart up your sleeve
It looks like we’re in for stormy weather, that ain’t no cause for us to leave
Just lay here, in my arms, let it wash away the pain
And it feels like rain
And it feels like rain”

Feels like rain, Buddy Guy (se alguém falar que é da Ke$ha, eu mato)

Aviso: Eu escrevi isso com duas garrafas de Juniper Pale Ale, um cerveja com zimbro, na cabeça. O potencial ofensivo aumentou muito. Não encham o saco.

Antes de começarmos apenas um comentário sobre a coisa mais idiota que eu vi no Facebook nos últimos dias. Como nenhuma amiga minha, com quem eu possa fazer esse tipo de piada, postou eu vou fazer a piada aqui mesmo. Uma quantidade impressionante de gurias postarem uma fotinho de um cachorrinho que dizia assim: “Eu sou guerreira, atire-me aos lobos e voltarei liderando a matilha”.

Sinto informar, isso só quer dizer que tu é uma cadela maior que as outras.

Importante também, lobos tem alcatéia.

Voltando a nossa programação normal.

Semana passada um amigo meu contou algo que aconteceu com ele. Aparentemente, alguma ex-namorada qualquer falou, para ele, ou seja, não foi fofoca, ela falou para ele. Pensando bem, provavelmente escreveu no facebook ou algo internetico do gênero que ele foi uma perda de tempo, em todos os anos que ela ficou com ele, ele não serviu pra nada, não acrescentou nada na vida ele, enfim aquelas reclamações que 50 anos depois de terminar a mulher ainda guarda mágoa.

Vamos esclarecer algumas coisas antes de iniciar o assunto:

1-    A idéia não é julgar nem um, nem o outro. Nada acontece de graça, e todo mundo paga um preço pelas suas escolhas.

2-    Totalmente irrelevante quem eles são, ou exemplificar posições de algo que eles fizeram ou não.

3-    A resposta óbvia seria: “Então porque tu ficou tanto tempo na  minha volta, inferno.” Mas isso só aparece junto com o espírito da escada.

Enfim, parece-me uma afirmação absurdamente forte, nada é uma palavra tão absurda quanto tudo. E de alguma maneira nada é muito mais interessante.

Eu tenho uma profunda dificuldade em pensar em Nada. Em visualizar Nada. Em sentir Nada. Muitas idéias do Zen ficam em volta do não-ser, não-pensar, não-agir. E eu tenho certeza que nada (ó ele aí de novo) disso passou pela cabeça de qualquer um dos dois.

Porém, eu, que como já foi dito, tenho profundos problemas em ficar com a cabeça vazia e com a boca fechada, fiquei pensando e se uma das minhas dissesse isso, de mim, evidentemente.

Sabe pode parece um pouco de arrogância minha, mas acho que nenhum poderia dizer isso. Pensando bem, pelo menos uma já deve ter dito isso.

As outras eu acho que não.

O que eu fez eu refletir foi que eu me perguntei para que que elas serviram?

O que é uma coisa horripilante de se fazer. Parece que a gente coloca um “nível de utilidade” nas pessoas. Sim, eu lembro eu sei que pelo menos umas duas vezes eu disse que a utilidade de alguém tinha acabado ou algo assim, mas faz tempo.

Eu demorei pra aprender uma coisa, as pessoas não estão aqui para fazerem diferença na minha vida, eu estou aqui para fazer diferença na vida delas. Por isso, que ouvir de alguém, que do nosso jeito imperfeito, por vezes patético e com certeza sem noção, amamos, dói. Pacas.

Acho que as minhas exs (como será o plural ou o coletivo de ex? Serpentário? Não, isso deve ser o coletivo de sogras) fizeram diferença na minha vida, evidente.

Acho que com uma eu aprendi a chorar. E que nem sempre o que a gente quer, é bom.

Acho que outra me ensinou a sorrir, só porque é bom, divertido. E nem sempre a gente precisa brigar porque acaba.

Outra me ensinou sobre responsabilidade. Acordar cedo. Tentar fazer tudo junto ao mesmo tempo. E conseguir. Pena que a minha curva de aprendizado foi pequena ela podia ter me ensinado bem mais.

É meio ridículo, mas eu sempre acabo voltando nesse assunto, tem uma que se me dissesse que eu não servi pra nada, eu responderia: “Bah, tu sabe que teve uma coisa que tu me ensinou mais do que qualquer outra pessoa.”

Ela, provavelmente, diria: “O quê?” com um certo desdém na voz.

“Tu me ensinou a sentir saudade.”

“Deus fez tudo do nada. Mas o nada aparece.”

Paul Valery

 “Aqueles que não conseguem se lembrar do passado estão condenados a repeti-lo.”

Santayana

M. Soares

soaresontheroad@yahoo.com

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