Soares Chronicles #92: O Pastel da Superficialidade

“Find a guy who calls you beautiful instead of hot, who calls you back when you hang up on him, who will lie under the stars and listen to your heartbeat, or will stay awake just to watch you sleep… wait for the boy who kisses your forehead, who wants to show you off to the world when you are in sweats, who holds your hand in front of his friends, who thinks you’re just as pretty without makeup on. One who is constantly reminding you of how much he cares and how lucky his is to have you…. The one who turns to his friends and says, ‘that’s her.’”

 

Sabe, faz horas que eu olho para esse post e não sei exatamente como começar. Eu ate tenho uma boa idéia do que eu quero dizer, mas parecia que faltava algo.

 Mas ontem eu vi um filme, Os Agentes do Destino, tem 7.1 no IMDB, não sei se isso é bom ou não. Mas eu achei o filme tri, ele estraga no final, mas é um final necessário prum filminho. Há alguns questionamentos filosóficos sobre livre-arbitrio, mas nada exagerado ou mesmo aprofundado. Admito que eu não gostei muito do final e duvido que no conto do Philip K Dick (o mesmo do Blade Runner) seja daquele jeito. Mas, como eu falei antes, é o final que o filme precisa ter pra fazer sucesso.

 Vou tentar fazer sentido em alguns momentos. A idéia do filme é que um casal acaba se encontrando em diferentes pontos da vida, ao longo de uns 10 anos eu acho, e sempre acontece algo que os separa e um tempo depois eles se encontram de novo… e assim sucessivamente.

 Eu achei isso relevante para falar sobre a metáfora do pastel.

 Tá, talvez eu não faca sentido afinal de contas.

 Geralmente quando a gente no Bar do Severo Snape ali na lima, a gente sempre na mesma mesa, na janela, e entre uma cerveja e outra vai observando o movimento. Invariavelmente, nosso olhar critico é atraído para uma ou outra guria que passa por ali, e alguns comentários são feitos.

 O Morgan geralmente fala: “Com essa eu conversava a noite inteira.” E, e é verdade mesmo, ele é capaz disso.

 Eu geralmente digo: “Aposto como ela quer ser minha amiga.”

 E assim por diante. Admito que alguns comentários não são tão divertidos e inocentes como esses, mas enfim, vocês entenderam.

 Eventualmente uma dessas meninas que nos comentamos, esta acompanhada por um cara, e geralmente, esse cara é um pastel.

 Eu não estou tentando denegrir o valor nutritivo de um pastel, de maneira alguma, mais de uma vez já fui salvo por um pastel de carne com meio ovo dentro em algum posto de gasolina no meio do nada.  Mas a idéia é o seguinte, o pastel é um invólucro que tu coloca qualquer coisa dentro e frita. E tá pronto, é só isso. Ninguém sai de casa com o expresso objetivo de comer um pastel, se ta por ali, é interessante, nutritivo, pode até ser gostoso, mas se não ter pastel, não é um problema, é facilmente substituível.

 Ou seja, pastel, apesar de, eventualmente, bom, não é exatamente a melhor refeição que alguém pode fazer.

 O que isso tem a ver com os agentes do destino. Provavelmente nada. Pastel nem é algo relevante no filme.

 O que é relevante é o reencontro.

 Por que? Honestamente, eu não sei. Mas a idéia de pessoas se encontrando e reencontrando várias vezes ao longo do tempo é muito tri. E isso acontece bastante, talvez mais agora. E devo dizer que muita gente que eu conheci, eu gostaria de reencontrar, colegas do colégio, ou da faculdade, sei lá. Parece plenamente possível listar algumas pessoas que eu tenho uma curiosidade sincera de ter noticias, sabe, não digo, voltar a ter aquela amizade de segundo grau, mas saber que está bem, que as coisas deram certo, o que quer que isso signifique.

 O ano das más decisões começou por causa disso, um reencontro e um pastel. E mais um caso do meu péssimo hábito de ser muito burro.

 Lembro que quando isso começou a se formar, eu tava na casa de um amigo meu, mexendo no computador enquanto víamos um filme dos anos 80, acho que era o “Academia de Gênios”, aquele que o Val Kilmer fez com 12 anos de idade numa época que qualquer titulo de filme que tivesse uma escola era obrigatoriamente traduzido como “loucademia de alguma coisa”. Enfim, antes que eu me perca.

 Evidentemente que para isso fazer sentido, tem que ter um reencontro e um pastel. Claro que teve um reencontro, mas antes que eu me desse conta que o pastel, que tava perambulando por ali, era o pastel dela (alguém tinha dúvidas de que isso tudo não seria por causa de uma guria?), eu abri a boca falei um monte de besteira, que é o meu modus operandi usual. E aí o pastel apareceu. E eu pensei: “Sério eu continuo sendo um idiota”.

 No inicio do ano, dia 02 de janeiro, lá pelas duas da tarde, algo parecido aconteceu, e aí eu decidi que eu devia estar fazendo tudo errado, aí surgiu o ano das más decisões.

 Eu lembro que lá pela oitava série tinha um livro que começava com uma pisadela e um beliscão, acho que era Memórias de um Sargento de Milícias. O ano das más decisões começou com dois pastéis.

 E sabe, em alguns momentos eu fico sabendo de alguma coisa, de um jeito ou doutro, nesse mundo conectado de informação livre e o cacete, e eu realmente queria usar a minha melhor voz do James Earl Jones e ser aquele cara grandioso e poético que a gente vê nos filmes, ou le nos livros e dizer: “A felicidade dela me faz feliz”ou algo gênero. Mas não, lá no fundo, provavelmente bem no rasinho, eu queria que ela tivesse sido feliz comigo.

 E isso é um pouco triste.

 “A beleza é um reino muito pequeno.”

Sócrates

M. Soares

soaresontheroad@yahoo.com

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s