Soares Chronicles #102: O Fantaspoa, O Led Zeppelin e o Aspirador de Pó

‘Why is it all Mr Dibbler’s films are set against the background of a world gone mad?’ said the dwarf.
Soll’s eyes narrowed. ‘Because Mr Dibbler,’ he growled, ‘is a very observant man.’

Terry Pratchett, Moving Pictures

Se tu chegou até aqui, tu deve me conhecer. Então tu já sabe que eu não gosto de nada. Se tu não me conhece, a principal coisa que tu deve saber a meu respeito é isso: eu não gosto de nada.

Eu vejo um filme, eu reclamo. Eu leio um livre, eu reclamo. Eu escuto uma música, eu reclamo. Tu pode pensar: é um reclamão, ou ser mais poético e dizer: um eterno insatisfeito. Outra coisa que eu descobri, quanto mais recente são as coisas, mais provável que eu não goste.

O que a maioria dos espíritos zombeteiros que me criticam constantemente não entendem é que eu  me entedio facilmente, eu preciso de constantes desafios. Atualmente no entretenimento isso é muito difícil, porque é tudo igual, a impressão que eu tenho é que eu já vi todos os filmes, eu já escutei todas as musicas, não há nada de surpreendente.

Outro dia eu tava numa fila qualquer, e a TV, na MTV, que até me surpreendeu por ainda existir, e eu vi três clips enquanto esperava: Rihanna, Wanessa (que pelo que eu pude entender é a Vanessa Camargo cantando em inglês) e a Selena Gomez.

Sabe o que mais me surpreendeu em relação a eles?

São todos iguais, se tu trocar as músicas, nem elas percebem. Verdade que o volume tava muito baixo então, felizmente, não deu pra ouvir direito. Sério, a mesma roupa, a mesma maquiagem, a mesma coreografia, os mesmos trejeitos pseudo-sensuais, o mesmo enquadramento, era tudo praticamente igual. Eu fiquei pasmo, foi uma das coisas mais ridículas que eu vi na vida. Parecia um looping infinito as mesmas caras e bocas com a mesma batidinha pseudo-eletrônica de fundo… mas faz sucesso. E isso que importa, certo?

Certo. Existe uma Formula pra fazer sucesso. Não só na musica, mas pra toda indústria do entretenimento, mais exemplos?

Recentemente eu vi o Star Trek 2, Jack, o Caçador de Gigantes e o, bom, eu não me lembro do outro exemplo que eu ia dar, então vou falar mal do Hobbit. Sabe qual a diferença entre eles? Nenhuma, devem ter usada até o mesmo fundo verde pra fazer o cenário no computador.

Todos usam a mesma fórmula, o protagonista é relutante, destemido, ainda não provou seu valor, mas é levemente engraçado, o que faz a gente simpatizar com ele; ele tem um amigo sisuso, que gosta de cumprir as regras; ele tem um mentor, que ensina lições de vida e de vez em quando dá a morta; tem um outro amigo que, aparentemente, não serve pra nada, mas no final é ele que salva todo mundo. E sério, eu acho que o vilão de todos os filmes é um traidor.

Esse é o problema, eu já vi o filme. Tu mudou o cenário, o nome dos personagens, mas o filme é o mesmo. Essa descrição serve pro Indiana Jones e a Última Cruzada, que tem 20, 25 anos. E se a gente quiser forçar muito a metáfora é o Novo Testamento.

Mas de quem é a culpa da fórmula?

Eu acho que é do Led Zeppelin.

Calma, larguem as foices e os ancinhos e apaguem a fogueira, eu explico.

Eu acho Led do caralho, a maior banda de rock da história, tecnicamente perfeito, Kashmir é o rock definitivo. Mas é uma fórmula.

Mas até aí, Iron Maiden é uma fórmula, Stones é uma fórmula e o Justin Bieber também é uma fórmula.

Mas porque a culpa é o Led?  Porque, na minha opinião, que não sou historiador da música nem nada, eles são a primeira banda ostensivamente comercial. Eles não se falavam, eles não se gostavam, eles não conversavam além do necessário, qualquer banda teria acabado, eles resolveram continuar se agüentando pra ganhar dinheiro e comer groupies. Genial.

Eles não são aquela história romântica do grupo de amigos ensaiando na garagem e insistindo em fazer o “som deles” até alcançarem o sucesso e a fortuna. Eles são profissionais, fazendo o que profissionais fazem, ganhando dinheiro. E no caso de músicos profissionais dos anos 70, comendo groupies e usando todas as drogas possíveis.

E isso funcionou tanto que todo nosso entretenimento, com raríssimas exceções é formulado. A banda já faz sucesso antes de ser lançada, o filme já tem a lista do que pode ou não pode aparecer para fazer sucesso.

A fórmula é o aspirador de pó do entretenimento.

Na minha, admito que recente e curta, experiência como dono de casa, descobri no aspirador de pó meu maior aliado. Ele limpa praticamente tudo, chão, sofá, mesa, cadeiras, fogão, cama, com uma facilidade incrível. É impressionante. Uma das maiores invenções da humanidade. O cara que inventou o aspirador de pó, Sr Ives McGaffey, em 1869, tinha a fórmula do sucesso nas mãos, facilitar a vida das pessoas.

Isso é o que a indústria do entretenimento tá fazendo, facilitando a nossa vida. Como é sempre o mesmo filme, eles não precisam explicar muito, mas só pro caso de tu não entender direito, em algum momento o mentor dá a morta, ou o vilão faz um nem mais tão longo assim discurso explicando tudo tim por tim pra ti não ter dúvida. É o filme a prova de burro.

Mas, um dia, a fórmula faz a volta e morde a nossa bunda. Mas eu falo sobre isso no mais tarde.

Um dos raros momentos em que eu consigo ir no cinema e não sair dizendo que o filme é uma bosta é no Fantaspoa, uma coleção de filmes diferentes, que não pegariam o circuito comercial de jeito nenhum e são uma grata surpresa no cenário de Porto Alegre, vou fazer um breve comentário sobre cada um dos que eu vi, para reviews mais profundos e completos, visitem o Review Maluco do Rodrigo Fattore (http://reviewmaluco.blogspot.com.br/). Eles não estão em nenhuma ordem particular.

Os critérios de avaliação foram os seguintes:

Entretenimento: O quão divertido e interessante é o filme.

Bizarrice: O quão bizarra é a história do filme.

Peitos: A qualidade ou quantidade de peitos que aparecem no filme.

Vagabunda: Quantas vezes eu tive vontade de gritar “Vagabunda!” devido a conduta moral dos personagens do filme.

 

Despertar dos Mortos (Dawn of the Dead, 1979, George A Romero)

Clássico do apocalipse zumbi do Romerão, o inventor do gênero. Refugiados no shopping vão levando a vida numa boa até uma gang de punks aparecer e tocar o terror. É um baita filme, não tem cenas muito fortes, nem violência desmedida e a trilha do Goblin é uma pérola. Dá até pra fazer uma leitura sobre o consumismo e a cultura do shopping center, que na época era novidade. E sim, tem um final alternativo, bem mais desesperador que muda muito a experiência de ver o filme, eu achei o youtube uns anos atrás mas é um saco de procurar.

Entretenimento: 3/5 – Bizarrice 2/5 – Peitos 0/5 – Vagabundas 0/5

 

Suspiria (Suspiria, 1977, Dario Argento)

Clássico absoluto do Dario Argento. Um dos filmes mais tensos da história, a cena do banheiro é enlouquecedora, logo no início do filme. Estudante de intercâmbio americana vai para escola de ballet demoníaco na Alemanha, o resto se escreve sozinho. Um puta filme. Vejam com o volume no máximo porque a trilha sonora é parte crucial da experiência.

Entretenimento 4/5 – Bizarrice 4/5 – Peitos 1/5 – Vagabundas 1/5

 

Cru (2011, Jimi Figuereido)

Eu tenho a teoria de que filme brasileiro ou é pornochanchada ou é sobre a pobreza, esse é sobre a pobreza. Mas é um bom filme. O filme é basicamente um diálogo, num açougue, entre três personagens, o açougueiro homossexual, o forasteiro que quer contratador um assassino profissional e o tal assassino. A conversa vai e vem e no final tem uma revelação, talvez nem tão surpreendente assim. Mas é um bom filme, os diálogos são excelentes e o visual do filme é muito bom.

Entretenimento 3/5 – Bizarrice 1/5 – Peitos 0/5 – Vagabundas 1/5

 

Godzilla (1977, Luigi Cozzi, Ishiro Honda, Terry O. Morse)

Picaretagem italiana em cima de uma picaretagem americana. Como todo mundo sabe o Godzilla original japonês foi comprado pelos americanos que picotaram o filme, criaram um novo personagem, um jornalista, e montaram meio que um novo filme. E o italiano Luigi Cozzi fez exatamente isso, de novo. Ou seja, ele pegou a versão americana, repicotou, inseriu mais umas cenas de um documentário sobre a segunda guerra, utilizou a técnica de colorização Spectorama 70 (largou umas melecas coloridas em cima do celulóide e era isso) e lançou na Itália. A cópia que passou aqui era um VHS Rip com as propagandas de uma loja de departamentos italiana no meio do filme. Uma bosta, só para aficionados pelo Godzilla.

Entretenimento 1/5 – Bizarrice 5/5 (a meleca) – Peitos 0/5 – Vagabunda 1/5

 

Mar Negro (2013, Rodrigo Aragão)

Não, até onde eu sei o Rodrigo Aragão não tem nada a ver com o Didi. Como todo filme brasileiro ele começa contando a história de dois pobres pescadores, um dos quais vai ser infectado e virar um zumbi, e depois durante a noite, temos a inauguração do puteiro regional, com cenas de pornochanchada (uma menção especial aos peitos da Giselle Ferran, motivo mais do que justo para ver o filme). Durante a inauguração de tal puteiro, ataque zumbi, e o resto se escreve sozinho. Dá pra notar, que o filme começa sério e com um visual muito bacana, mas em terminado momento, a inauguração do puteiro, ele vira uma pornochanchada com zumbis, mas é divertido.

Frase do filme: “Quem não tem cu não faz contrato com pica. “Otto, Seu.

Entretenimento 4/5 – Bizarrice 3/5 (a carne de barril) – Peitos 4/5 – Vagabunda 3/5

 

A Força dos Sentidos (1979, Jean Garrett)

Pornochanchada brazuca, setentista, da boca do lixo, espírita, feita por uma amigo do Mojiquinha (teu currículo nunca vai ser tão legal quanto isso). Apesar do titulo o filme não faz o menor sentido, não importa quanta força tu faça. Basicamente são desculpas pro mesmo cara comer todas as mulheres do filme, inclusive a saudosa Aldine Muller, e um cachorro. E também era um VHS Rip vagabundo. Só vale a pena se tu curte peitos dos anos 70 (sem silicone), narizes dos anos 70 (sem plásticas) e dentes dos anos 70 (sem aparelhos).  No mais, uma bosta.

Entretenimento 2/5 – Bizarrice 3/5 – Peitos 3/5 – Vagabunda 18/5

 

Zombio 2: Chimarrão Zombies (2013, Peter Baiestorf)

Uma comédia pornochanchada de baixíssimo orçamento do terror de Palmitinho, Peter Baiestorf. A erva-mate de uma pequena comunidade do interior de Santa Catarina foi contaminada pelos dejetos nucleares das inescrupulosas Industrias Cronenberg, e aqueles que tomam chimarrão com tal erva, viram zumbis sedentos por sangue. Um filme engraçadíssimo, uma espécie de Trapalhões, do início dos anos 80, com sangue e peitos de fora. Falando em peitos, a Giselle Ferran em toda a sua glória, o próximo filme podia ser ela, pelada, pulando numa cama elástica, clássico instantâneo.

Frase do filme: “Boquete não se nega a ninguém.” Não faço a menor idéia do nome do personagem dela.

Entretenimento 4/5 – Bizarrice 3/5 – Peitos 5/5 – Vagabunda 5/5

 

Cockneys VS Zombies (2012, Matthias Hoene)

Baita filme de zumbi, em East London um grupo de criminosos, sem nenhuma habilidade, resolve roubar um banco, para impedir que o asilo onde o avô deles mora seja vendido. Durante o assalto, apocalipse zumbi. Aí eles decidem ir até o asilo salvar os velhinhos dos zumbis. Um filme engraçadíssimo, tem dúzias de piadas que nós fizemos por aqui, é mais ou menos como um apocalipse zumbi em Alvorada. A cena do bebê foi baseada na vida e obra do Cairú.

Entretenimento 4/5  – Bizarrice 2/5 – Peitos 0/5 – Vagabunda 1/5

 

Zombibi (2012, Martjin Smits, Erwin van den Eshof)

Quatro quase amigos são presos durante uma festa e passam a noite na cadeia. Durante a noite, apocalipse zumbi. No outro dia pela manhã, um deles recebe uma ligação da sua quase namorada, que está presa num prédio no centro da cidade que parece ser o foco da infestação, ele convence a trupe, agora com a ajuda de uma policial gostosérrima e um executivo a salvá-la. Piadas bem sacadas e um ritmo muito bom, vale a pena procurar na internet. Ah, o filme é em Amsterdam.

Entretenimento 4/5 – Bizarrice 2/5 – Peitos 0/5 – Vagabunda 3/5

 

Black Out (2012, Arne Toonen)

Um filme do tipo golpe que dá errado, vejam antes que Hollywood faca uma versão boazinha com o Jason Statham. Um ex-presidiário, na véspera do seu casamento, acorda sem se lembrar da noite anterior e devendo 20 quilos de cocaína para traficantes da pesada. Eu achei o filme muito bacana, com um ritmo muito bom, admito que não tem nenhuma surpresa e é um filme de fórmula de golpe que dá errado. Destaque pras irmãs Schuurman que arrasam como uma dupla de assassinas profissionais.

Entretenimento 3/5 – Bizarrice 1/5 – Peitos 0/5 – Vagabunda 2/5

 

Dead Sushi (2012, Noboru Iguchi)

O cinema japonês em toda a sua glória e estranheza. Sushis contaminados por uma fórmula regeneradora atacam pessoas e as transformam em zumbis assassinos. A única esperança está em Keiko, a filha desgracada de um grande sushiman que precisa reencontrar sua sushimanship interior com a ajuda de Ovinho, um sushi de omelete que sofre bullying dos outros sushis por não ser de peixe. É o filme mais bizarro e sem sentido do Fantaspoa. Vale a pena só pela imprevisibilidade, não da história, mas da próxima cena. Não vou contar mais nada, pra não estragar o filme.

Frase do filme 1: “A partir de agora nada mais faz sentido.”

Frase do filme 2: “Agora eu renasço como o ATUM!”

Entretenimento 5/5 – Bizarrice 5/5 – Peitos 1/5 – Vagabunda 3/5

 

Eega (2012, S. S. Rajamouli, J. V. V. Sathyanarayana)

O melhor filme do Fantaspoa 2013. Nani é um rapaz que acredita no amor e está apaixonado por Bindu, que se faz de difícil. Há dois anos. Mas Nani é um believer, rapaz pobre e batalhador. O que ele não contava é que aparecesse Sudeep, cara rico, canastrão e barbudo, tudo que as mulheres atuais gostam. Bindu, finalmente, começa a responder aos afetos de Nani, Sudeep, enlouquecido de ciúme, resolve matar Nani. Mas como estamos na Índia, Nani renasce como uma mosca sedenta por vingança. Sério, vejam antes que Hollywood transforme esse clássico numa comédia romântica com o Ben Stiller e a Katherine Heigl, isso vai acontecer, podem escrever.

Frase do filme: “Mosca! Mosca! A morte se ajoelha perante o seu poder!” trilha sonora original, como é um filme indiano é cheio de musiquinhas.

Entretenimento 5/5 –  Bizarrice 3/5 – Peitos 0/5 – Vagabunda 1/5

 

The Human Race (2012, Paul Hough)

Um filme bastante interessante sobre uma corrida. 80 pessoas são abduzidas e aparecem num local desconhecido e escutam as regras para a corrida: “se pisar na grama, morre; se sair do caminho, morre; se for ultrapassado duas vezes, morre; corre ou morre”. Claro, tem a saída óbvia, uma fila indiana, ou todo mundo ficar sentado, mas a raça humana (aqui o trocadilho do título) não é conhecida por cooperar entre si. Um bom filme, que vale a pena ser visto, os protagonistas são bem diferentes do usual, o início tem uma reviravolta que eu não esperava (que mostrou que não era um filme bonitinho) e o final tem uma sacada muito tri. Eu admito que o final do filme achei meio bobalhão, se fosse mais tipo “O Cubo” eu acho que ficaria mais tri, mas vale a pena.

Entretenimento 4/5 – Bizarrice 2/5 – Peitos 0/5 – Vagabunda 1/5

 

Lágrimas Vermelhas (Red Tears-Korui, 2011, Takanori Tsujimoto)

Filme japa-taca sobre vampiros. Uma bosta.

Entretenimento 1/5 – Bizarrice 1/5 – Peitos 1/5 – Vagabunda 2/5

 

Lobos de Arga (2011, Juan Martinez Moreno)

Comédia de lobisomens espanhóis, muito divertida, com bons efeitos e apesar de ser um filme engraçado o diretor não quis apostar uma diversão infantil, pagou o preço e fez um filme violento com sangue, mutilações e muita porrada. Eu achei os lobisomens meio bundões, mas como tem um monte de lobisomens não pode ser muito difícil de matá-los. Vejam, antes que Hollywood transforme num filme infantil com a Dakota Fanning.

Frase do filme: “É preciso surpreender o inimigo.” Policial com alguns parafusos a menos.

Entretenimento 4/5 – Bizarrice 1/5 – Peitos 0/5 – Vagabunda 1/5

 

Trash 2: As tetas de Ana L. (Trash Dos: Lãs Tetas de Ana L., 2013, Alejo Rebora)

Uma bosta. Filme miguelito feito de forma experimental com um único e principal motivo: chocar o espectador. A triste história de Ana L que acorda, seqüestrada, mutilada, foge e sai a procura de suas tetas serve como um pano de fundo pra uma coleção de cenas bizarras, violentas, nojentas e sem sentido. O plano é óbvio, ter toda uma comoção sobre o porque tu não deve ver o filme pra todo mundo ficar curioso, ver o filme e eles encherem o cu dinheiro. Parece que o Trash Uno tem no youtube. Mas não vejam o filme, porque ele é ruim, são duas horas que não vão voltar, quinze minutos dos quais é um cara limpando coco de cachorro num tapete de um táxi.

Entretenimento 1/5 – Bizarrice 18/5 – Peitos 0/5 (apesar do título, nenhum é bonito) – Vagabunda 5/5 (Ana L, baita vagabunda)

 

A Segunda Morte (La Segunda Muerte, 2012, Santiago Fernandez Calvete)

Baita filme miguelito, uma pequena e pacata cidade do interior argentino (a monotonia do interior é muito ressaltada pelo ritmo do filme e a fotografia em sépia que fica do caralho) tem sua tranqüilidade abalada pelo assassinato dos membros de uma família, queimados, em posição de reza. A policial que investiga o caso consegue a ajuda de uma criança, com supostos poderes paranormais. Surpreendente mesmo, fantástico, vejam, vejam, vejam. O guri do filme tá sensacional, o fotografia do filme é maravilhosa, a atriz que faz a policial segura o filme nas costas e a escolha do assassino é de uma coragem impressionante. Eu duvido que Hollywood tenha coragem de fazer um filme parecido.

Entretenimento 5/5 – Bizarrice 4/5 – Peitos 0/5 – Vagabunda 1/5

 

Premutos (Premutos – Der gefalle Engel, 1997, Olaf Ittenbach)

VHS Rip com a dublagem de todas as vozes feita pelo mesmo cara, levemente fora de sincronia, parece um pornô de orçamento baixo e duvidoso. Premutos é um anjo caído que volta e meia, quando alguém encontra um livro e lê o que tá escrito, volta comandando um exército de zumbis, mas dessa vez ele se dá mal, por que nosso protagonista borra-bosta encontra um tanque no porão e baixa o cacete na zumbizada.

Entretenimento 2/5 – Bizarrice 3/5 – Peitos 1/5 – Vagabunda 2/5

 

Esses foram os filmes que eu vi, eu sei que muitos desses filmes também seguem fórmulas, todos os filmes de zumbis, seguem as mesmas fórmulas, até as Tetas de Ana L segue uma fórmula, senão a fórmula da história, a fórmula do choque, que é a mesma do Hostel, do Código da Vinci, do Serbian Movie que são filmes ou livros que não tem nada de mais, mas como o Papa disse que não é pra ver, eu quero ver. E aí eu deixo o cara rico com um livro totalmente descartável, que é exatamente igual aos outros.

Eu vou supor que O Despertar dos Mortos e o Suspiria vocês já viram, então vejam: Eega, The Human Race e A Segunda Morte. Foram os melhores filmes que eu vi no Fantaspoa. Esses realmente fogem da fórmula, pelo menos o suficiente.

Ah, e quando a fórmula vai fazer a volta e morder a nossa bunda? O dia que eu for limpar o aspirador, que todo o trabalho que eu economizei fazendo o mais fácil se tornar uma coisa muito mais difícil de ser feita.

O dia que o nosso emburrecimento consentido nos tornar pessoas que se ofendem por qualquer coisa, que não podem pensar em nada, porque o importante é pensar antes no que vão pensar de nós, aí a gente vai ter mais trabalho pra voltar a fazer algo interessante.

Acho que a gente tá mais perto disso do que a gente imagina.

“Cinema-verdade? Prefiro o cinema-mentira. A mentira é sempre mais interessante do que a verdade.”

Frederico Fellini

M. Soares

soaresontheroad@yahoo.com

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