Soares Chronicles #104: A Teoria do Protagonista

1,2,3,4… 

Spider-man, Spider-man, does whatever a spider can,
Spins a web any size catches thieves just like flies, 
Look out… here comes the Spider-man
Is he strong? Listen up; he’s got radioactive blood. 
Can he swing from a thread take a look over head.
Look out… here comes the Spider-man.
In the chill of the night at the scene of a crime, 
Like a streak of light he arrives just in time.
Spider-man, Spider-man friendly neighborhood Spider-man, 
Wealth and fame he’s ignored, action is his reward. 
Look out here comes the Spider-man.

Look out!

Let’s go!

In the chill of night at the scene of a crime, 
Like a streak of light he arrives just in time. 
Spider-man, Spider-man, friendly neighborhood Spider-man,
Wealth and fame he’s ignored action is his reward.
To him life is a great big bang up 
When ever there’s a hang up, 
You’ll find the Spider-man! 
Man.

Spider-Man, Ramones

Todos somos protagonistas de nossas próprias vidas e tudo aquilo que impede a realização de nossos objetivos são apenas complicações.

Essa é a base da teoria do protagonista.

Agora, o que o protagonista faz frente às complicações da sua história? Ele resolve. Ele toma decisões, ele enfrenta. Nem sempre são boas decisões, mas ele resolve.

Para refletirmos melhor, vamos pegar alguns exemplos. Sim, óbvio que eu vou falar de super-heróis.

Primeiro vamos falar do maior super-herói de todos os tempos, nosso amigão da vizinhança, o Homem-Aranha. Quando o jovem estudante, Peter Parker, é mordido por uma aranha radioativa e ganha os poderes convenientes de uma aranha isso é uma complicação. Mas o que ele faz? Ele toma a decisão de usar isso da melhor forma possível, luta livre. Porém, surge outra complicação, a morte do Tio Ben, que faz com que ele se torne um super-herói e salve o mundo 236 vezes. Dentro das origens secretas de super-heróis até não é uma das piores, o Tio do cara morre e tudo mais, mas tudo meio que se resolve. Agora, o que acontece quando a gente dá azar?

Vamos pensar agora no nosso amigo Cliff Steele, piloto de corridas internacionais, em um terrível acidente durante uma corrida tem o corpo destroçado e sua única esperança de sobreviver é um transplante de cérebro. Mas para um corpo robótico laranja. Porque a ciência dos anos 60 na DC Comics é do caralho. Assim surge o Homem-Robô, que junto com a Patrulha do Destino vai salvar o mundo umas 89 vezes.

No entanto, eu comentei que o Homem-Aranha tem os poderes convenientes de uma aranha, ele é rápido, ágil, forte tem um “sentido de aranha” que o previne de perigos, são coisas convenientes, por exemplo, ele não tem 6 braços ou solta teia pela bunda.

Já o Homem-Robô ele tem os “poderes”  de um robô, um corpo super forte e resistente, porém insensível. Imaginem viver com a lembrança de um gosto, de um toque que tu nunca mais vai sentir, imaginem o cuidado em um aperto de mão, em um abraço para não machucar ninguém. Eu não consigo imaginar a dor de um membro fantasma, imaginem um corpo fantasma. Nosso amigo Cliff Steele vai se tornar um cara amargo, azedo, triste, assombrado por saudades de coisas corriqueiras. Ele se torna um prisioneiro de seu grande e desajeitado corpo de robô laranja, um estranho pro mundo e pra si mesmo.

E ainda assim ele vira um super-herói.

O que eu quero dizer é que não existe o momento certo pra nada. Nunca é um bom momento pra ser picado por uma aranha radioativa, nunca é um bom momento pra ter o corpo destroçado e acordar preso ao corpo de um robô laranja. Nunca é um bom momento, todo dia todo mundo tem dificuldades, talvez maiores, menores ou exatamente iguais as tuas. A questão é o que fazer neste momento?

Essa é a atitude que define o nosso protagonista. A transformação daquele momento cheio de dúvidas e complicações no melhor que ele pode fazer. A transformação de um momento no teu momento. No teu esforço, no teu suor, na tua escolha definitiva.

Claro, eventualmente, alguém resolve virar um supervilão e viver num mundo cheio de amargura e afogado na própria miséria e comiseração, mas sempre há uma história redentora que ainda não foi contada. Afinal o que seria do inferno se os demônios não pudessem sonhar com o paraíso.

Sim, eu terminei citando Neil Gaiman, chupa Bélgica.

“Nosso destino não está nas estrelas, mas em nós mesmos.”

Shakespeare

M. Soares

soaresontheroad@yahoo.com

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